sábado, 20 de março de 2010

Escombreira

Escombreiras são plataformas artificiais formadas pelo depósito de resíduos estéreis, no caso de S.Pedro da Cova, resultantes da exploração de carvão.
O único vestígio deste género, ainda presente na freguesia, é a escombreira que teve maior importância durante os anos de extracção de carvão, denominada por Alto Gódio, e é formada essencialmente por materiais xistosos e xistos-carbonosos, sendo visível em grande parte da freguesia, nomeadamente nas zonas mais altas. É facilmente identificada devido à sua cor: o negro.



Fonte: Folheto fornecido pela Casa da Malta/Museu Mineiro

Bairro Operário


Surge da necessidade de aumentar o número de operários, funcionando como um chamariz para operários oriundos de outras regiões.
A construção do primeiro bairro operário de S.Pedro da Cova teve início em 1920, e em 1921 já possuía 92 habitações.




Fonte: Folheto fornecido pela Casa da Malta/Museu Mineiro


Greves de Operários

Existiram enumeras greves dos trabalhadores mineiros pela luta de melhores condições de trabalho e de salário. Entre outras, destacam-se :

1923 - contra os períodos de 16 horas consecutivas de trabalho;

1946 - contra o "patronato nazi-fascista".

Março de 1970 - encerramento das minas
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22 Maio de 1975 - Ocupação dos escritórios por parte dos operários mineiros.


As Minas e o Carvão

Inicialmente, a extracção de carvão não era feita em grandes quantidades, sendo só usado para uso doméstico. Contudo a sua exploração foi ganhando outras dimensões e na primeira metade do séc. XX a sua extracção era sobretudo para a utilização industrial (produção de vapor, energia termoeléctrica...). É nesta época que o carvão e as minas atingem o seu apogeu, foi quando se abriu o poço de S.Vicente, atingindo os 157 metros de profundidade e este é hoje uma das únicas recordações desta actividade que tanta importância teve no nosso concelho. Foi instalado também (antes da construção do poço de S.Vicente), em 1914, um outro equipamento necessário, o cabo aéreo de nove quilómetros de extensão que permitia o transporte de carvão em pequenos vagões, desde as minas à, principalmente, cidade do Porto (Monte Aventino). Outro meio de transporte era a zorra - "carros eléctricos", adaptados para a troca de mercadorias e dada à sua característica sujidade, devido ao pó negro de carvão, eram apelidados de viúvas.
Mas com a revolução do 25 de Abril e com o desenvolvimento da indústria, da tecnologia e da energia que não parou, na segunda metade do séc. XX trouxe uma nova realidade negativa para a população mineira. Devido ao petróleo e a produção hidroeléctrica, a extracção do carvão baixou, tornando-se cada vez mais escasso e, em 1970, a exploração mineira de S.Pedro da Cova é encerrada. Como principal consequência, os ex trabalhadores passavam fome e miséria.

sábado, 27 de fevereiro de 2010


A História de S.Pedro da Cova

A história de São Pedro da Cova teve início nos princípios da fundação de Portugal: em 1138 D. Afonso Henriques doou a D. Pedro Rebaldis, sucessor do Bispo do Porto, o chamado “Couto de São Pedro da Cova”. Esta doação foi confirmada em 1379 por D. Afonso III no julgado de Gondomar, o que pertence também ao “Concelho e Julgado de Aguiar”.
Com a extinção dos Coutos em 1820, a freguesia de São Pedro da Cova adquiriu o título de Concelho, que terminou em 1836. A povoação deste concelho passou a pertencer ao concelho de Gondomar.
Depois da descoberta em 1802, de carvão e antracite, existentes no seu subsolo, torna-se um centro mineiro de grande importância. Inicialmente, a sua exploração era escassa e mais tarde, nos anos 30, intensificou-se. Esta terra forneceu trabalho a várias gerações de empregados, tornando-se o principal ganha-pão. São Pedro da Cova começou a ser conhecido em Portugal como “Terra Mineira”.
O encerramento das minas, em 1970, deveu-se à crise instalada pela baixa de preços do petróleo. Devido a este problema, os habitantes tiveram de procurar melhores condições de vida, levando-os a fazer parte de um mundo completamente diferente do seu, o que agravou ainda mais a lastimável situação económica e social.
Foram criadas medidas para o crescimento e desenvolvimento económico, originando as condições e a qualidade de vida necessárias à população, o que tornou o desejo dos habitantes de São Pedro da Cova realidade.


Informação retirada do site : http://esspedrodacova.hostwq.net/joomla/docs/escola/vilaspcova.pdf
"Ao Mineiro"

"De machado ao ombro, gasómetro na mão .
O passo rasgado e olhar sereno .
A tiracolo um farnel pequeno ...
O corpo tatuado por golpes de carvão !

Toupeira humana debaixo do chão .
Vai rasgando a pulso duro terreno .
Sem ver a luz do sol nem luar ameno ...
O carvão arranca a golpes de picão !

Às tuas mãos calejadas, duras .
Ao teu braço forte e abnegado ...
À tua firmeza e à tua coragem ...

A toda uma vida pejada de agruras .
Neste teu museu hoje inaugurado .
Te perpetuamos a merecida homenagem !"


30 de Setembro de 1989
Autoria: David Rodrigues
Condições de Trabalho
Do Homem:
Inicialmente, os mineiros não tinham muitos materiais para realizarem o seu trabalho. Capacetes e galochas não eram materiais de que os mineiros pudessem usufruir na altura. As condições de trabalho também eram péssimas. Os materiais de protecção e ajuda para a realização do serviço mineiro apareceram mais tarde. Relativamente às condições de trabalho, pode-se afirmar que muitas vezes a temperatura no interior da mina chegava aos 27ºC. Quando retiravam o carvão das paredes, chegavam a atingir alguns lençóis de água, e por isso, os mineiros, em algumas galerias, trabalhavam com água até aos joelhos (muitas vezes os trabalhadores ganhavam infecções e quando agravadas, estes tinham de ser amputados). Outro dos problemas eram as passagens... muitas galerias eram tão pequenas, que para ser extraído o carvão, os trabalhadores tinham de rastejar e com um simples balde e uma picareta retiravam o carvão.
Na hora de almoço, tinham cerca de meia hora para o fazer e comiam dentro das minas. Os trabalhadores entravam para as minas de manhã e só saíam, quando acabavam o seu trabalho à noite. Quando os trabalhadores queriam fazer as suas “necessidades” não tinham um lugar próprio para o fazer, e como já referido, não podiam sair das minas.
O trabalho nas minas era muito duro e por vezes havia uma grande taxa de mortalidade nesta profissão, por dois motivos: Primeiro, nem sempre o oxigénio chegava a todas as galerias, tendo os trabalhadores que suster a respiração para conseguir realizar a tarefa e nem sempre conseguiam chegar a tempo a um local onde o oxigénio passasse e morriam sufocados. Outro motivo devia-se à utilização de explosivos para facilitar o trabalho dando origem a rebentamentos. Neste tipo de acontecimentos, os mineiros tinham de respeitar uma medida de segurança, mas nem sempre essa medida era suficiente e acabavam por ser “apanhados” pela explosão, ou então eram muitas vezes vítimas das derrocadas ocorridas devidos aos rebentamentos.
A estes trabalhadores só lhes era oferecido materiais, como por exemplo, a picareta. O gasómetro (única forma de iluminação), o carbonete (gás necessário para o funcionamento dos gasómetros) e outros tipos de materiais eram os próprios trabalhadores que tinham de comprar com o seu salário e para não bastar, tinham de pagar os seus alimentos a uma cantina existente naquele local.


Da Mulher :

As mulheres também tinham umas péssimas condições de trabalho, trabalhavam cerca de nove horas. Estas tinham várias tarefas, uma delas era partir o carvão de joelhos, estas trabalhadoras chamavam-se britadeiras. Para a realização do seu serviço usavam simplesmente uns óculos e um martelo de britar. Apesar de estas mulheres trabalharem de joelhos, não lhes era permitido qualquer tipo de protecção. Durante o seu afazer, era-lhes recusado água. Estas trabalhadoras tinham uma mão livre e a outra ocupada com o martelo de britar. Caso parassem com o seu trabalho para descansar (colocando a mão livre no chão) ou simplesmente para falar, eram vítimas de agressões físicas por parte do capataz.
Outra das tarefas que as mulheres tinham era fazer o transporte do carvão para ou outros sectores. As cargas tinham cerca de 1000kg e só duas mulheres podiam empurrar essas cargas. O solo tinha inclinações e muitas das vezes, nas descidas, os vagões descarrilavam por estas não terem força suficiente para segurar a carga.